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tempo__________sorvedouro

cine-livro cine-book



[PT]

O cinema se diferencia da fotografia pelo movimento causado pela incidência do tempo. tempo_________sorvedouro é a incidência de um emaranhado de tempos no papel, por isso um cine-livro. Ele não oferece um sentido único de leitura porque se movimenta em muitas direções, dobra, gira, torce, caminha e assim vai assumindo incontáveis configurações. As coincidências que me aproximam de um conjunto de cartas escritas por Aracy Fonseca, entre 1956 e 1963, foram a centelha para a feitura deste trabalho, um gesto ritual de elaboração desse encontro e, sobretudo, de celebração do mistério.
Entropia é o fenômeno da movimentação molecular induzido pelo calor, disparadora de uma multiplicidade de disposições que a nossa visão desfocada não diferencia. Tente imaginar os mundos microscópicos em entropia, em estado de desorganização total, a desorganização natural das coisas, onde não há passado nem futuro. É por esse mundo que ele caminha. Em uma das faces, a imagem de Aracy é submetida a uma aproximação radical, até que não possa mais ser distinguida como tal, mas como um emaranhado indefinido em entropia, um lugar onde se desenrola uma verdade totalmente outra, no nível da textura do real. Na outra face, uma constelação formada pelos elementos que constituem esse acontecimento, de modo que o livro, junto do texto, seja seu enunciado material. Imprimir a imagem da casa, a imagem das cartas e a imagem de Aracy junto das minhas palavras é uma tentativa de encarnar no papel nosso encontro.



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“O que vi, vi de tão perto que não sei o que vi.”
“What I saw, I saw so close up that I do not know what I saw.”

Os desastres de Sofia  [A Legião Estrangeira]
The Disasters of Sophia[The Foreign Legion]


Clarice Lispector -

[EN]

Cinema differs from photography by the movement caused by the incidence of time. tempo_________sorvedouro (time _____________ whirlpool) is the incidence of a tangle of times on paper, and so a cine-book. It offers no single direction of reading because it moves in many directions, folds, spins, twists, walks, and so takes on countless configurations. The coincidences that draw me toward a set of letters written by Aracy Fonseca, between 1956 and 1963, were the spark for the making of this work, a ritual gesture of elaborating that encounter and, above all, of celebrating the mystery. Entropy is the phenomenon of molecular movement induced by heat, setting off a multiplicity of arrangements that our unfocused sight does not distinguish. Try to imagine the microscopic worlds in entropy, in a state of total disorganization, the natural disorganization of things, where there is neither past nor future. It is through this world that it walks. On one face, the image of Aracy is subjected to a radical approximation, until it can no longer be distinguished as such, but as an indefinite tangle in entropy, a place where a wholly other truth unfolds, at the level of the texture of the real. On the other face, a constellation formed by the elements that constitute this happening, so that the book, together with the text that follows, becomes its material enunciation. To print the image of the house, the image of the letters, and the image of Aracy alongside my words is an attempt to embody our encounter on paper.




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